Chemsex: Prazer Também É Cuidado apresenta

Meu Caderno Laranja

O garoto do short amarelo

arte e argumento
Rainnery Queer Core
texto
Glenda Teixeira
edição
Luiz Fukushiro

os domingos em são paulo têm um jeito próprio de existir em que o calor sobe do asfalto cola na pele deixa tudo mais lento ou mais urgente

dependendo do que você procura.

era janeiro.

eu caminhava pelo minhocão com um shorts laranja que era curto demais pra ser apenas uma roupa enquanto usava um coturno pesado demais para apenas demonstrar estilo.

sentia o vento seco sobrepassando entre as minhas pernas sentindo a ausência da cueca.

ao mesmo tempo que transmitia a minha falta de paciência para todos aqueles que vinham ao meu sentido contrário.

bem

a cidade sempre naquele clima de domingo

uma preguiça quem já tomou sol pelo parque augusta

ou um ritmo mais acelerado de um jovem que anda pela praça roosevelt

sempre aquela sensação sonora
buzinas distantes
funk que ultrapassa
chegando ao topo do condomínio

aaaaaaah
não podemos esquecer o aroma que a cidade emana
leve e bom sabor da MARIIIIA

COF COF COF
quase me esqueço dele
o velho gostinho de escapamento velho

nessa volta pela cidade por um certo momento me vejo fixado com os olhos feito um cachorro pronto a atacar enquanto ele vinha em minha direção sabendo que estávamos vivendo o mesmo filme (aquele  momento só na minha cabeça) mas já sabia que ele era ator dessa cena

ombros largos

passo solto

maneira e postura que sabia provocar com seu andar

mas algo ainda mais interessante me chamava atenção

era a forma como mesmo são paulo entregando um sol brilhante  existia algo abaixo dele brilhando parecia pesado mas ela levava com tranquilidade e nossa a forma como combinva com a sua blusa era surreal, um do shorts amarelo mais bonito que já havia visto ( vocês ai já pensando em rola né? Mas calma deixa eu continuar..), Nesse momento ele me olhoiu de uma maneira fingindo não me ver ali quase engolindo ele,

 Mas logo após fazendo o mesmo movimento de ir fingir não me vÊ, nessa hora eu simplismente paro, sento naquele chão quente sentindo o calor pelo meu short esquentando minhas bolas, pego meu baseado fico observando, sem pressa, bem sabemos que histórias como essas, minhocão, sol, rola marcando começa antes de palavras trocadas.. FOI ENTÃO.

    Que na oitava vez que ele passou, ele parou.

    — Nossa… quanto tempo eu não fumo um.

    Eu demorei pra responder. Não era nervoso. Era outra coisa. O corpo já tinha entendido antes da cabeça.

    — Quer um pega?

    — Claro.

    Sentamos lado a lado como dois desconhecidos que já dividiam um segredo. Falamos de música. Festa. Clubes que talvez já tivessem fechado. DJs que só existem às três da manhã.

    Até que ele perguntou, simples:

    — Quer ir lá em casa ouvir o set novo da 6lenda?

    Eu nem pensei.

    — Claro.

    Saímos do Minhocão com aquela eletricidade silenciosa entre dois corpos que ainda não se tocaram direito, mas já sabem.

    O apartamento era no Santa Cecília, perto do Largo. Prédio antigo, elevador lento, espelho manchado que devolvia versões ligeiramente mais perigosas da gente.Sempre a sensação de adrelina, tesão.

   Dentro do elevador sentia ele enconstado por trás.Sem pressa. Sem pedir.

   De repente o elevador para! Vejo que ele morava no quinto andar…

    Ao entrar no apartamento, sentia aquele ar era mais frio. Mais escuro. Mais íntimo. Quando uma voz surge me assusto e escuto.

    — Fica à vontade. Vou pegar umas coisas.

    Ele tirou a camiseta antes de sumir no quarto.

    Uma tatuagem ocupava quase todas as costas.

    Linhasque pareciam mapa, cicatriz ou oração.

    Costas larga,matendo firmeza ao caminhar.

    Eu tirei a minha também. Meio provocação, meio resposta, me mostrando não me sentir intimidado, sabendo que também sabia o porque eu estava ali a todo momento com meu radar e tesão sempre andando lado a lado como amigos que se cuidam no front.  Quando percebo ele voltando olho para suas mãos percebo uma caixa. Bem naquele momento qiue silêncio cheio de escolhas chega, ao observa a forma como ele me olha, como eu analiso as seringas, vejo as cores intensas da maconha, o brilho da luz fraca que rebete sobre o GHB, e quando percebo o barulho de maçarico com sua chama esquentando o piper e nessa hora ele  me olha e fala:

    — Escolhe.

    Volta acender seu piper.

    Eu trazendo a devolução do principio da nossa conversa falo:

    — Me dá um pega.

    Ele sorriu.

    — Claro. Mas antes… dá play no set.

    Quando a música da 6lenda começou, parecia que o apartamento encolheu um pouco. Ou que o mundo lá fora ficou distante demais pra importar. O grave atravessava o corpo como segunda circulação.Trazendo sensação naquele momento o mundo não existe para ninguém apenas para nós aquela sensação de saber que aquilo nunca aconteceu antes, por ser a nossa vez iamos contonar a situaçãp mostrando controle sobre o que estavamos criando naquele episodio de desejo.

    Por um momento vejo o olhar dele sobre mim a voz suave porém sentia ar de maldade nesse momento ele segurava o piper e me perguntou com o MESMO OLHAR DE MALDADE  se eu queria.

    Eu naquele momento respondi com um beijo. Usando a minha boca como resposta a maldade do olhar.

    O tempo se dissolveu ali. 

    Som, pele, química, respiraçã,  tudo misturado numa mesma frequência. Concetração, silÊncio, sincronização. tudo feito devagar,

    Como uma grande cerimonia.

      A cidade seguia normal lá fora. Carros. Gente. Luzes. Mas aquilo ali já era outra camada da realidade, voltamos pro sexo como se fosse missão. Nem chegamos até o final., em algum momento, percebemos os vizinhos do prédio ao lado olhando pela janela  GRITANDO .VÃO FAZER SEXO NA RUA A a gente ria e continuvamos afinal sair dali já não era a resposta.

      Ouço um telefone tocar, ele se levanta e sai rapidamente se vira e fala:

    — Fica aqui.

    Ele saiu.

    Eu fiquei.

    Deitada no sofá,enquanto sentia o som da 6lenda ainda pulsando nas caixas, eu flutuava entre cansaço e euforia, entre presença total e desaparecimento confortável. E quando percebo quie…

    Ele não voltou.

    Quando vi, eram cinco da manhã. Eu trabalhava às oito.Havia um papel, olhei a caneta e deixei um leve recado. “Tive que ir. não dava mais pra esperar.”

    Saí em silêncio. Mas antes, fiz uma última coisa. perçebo que havia uma outra pessoa quie morava naquele aparrtamento percebi ao ver fotos dela em um churrasco, e quando noto que o seguei tocando era  pen drive em cima da mesa.

o set ainda lá dentro.

a noite ainda lá dentro.

e agora

um pouco dentro de mim também.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais posts