Exagerado: Primeiro disco de Cazuza ganha compilação com Urias, Ludmilla, Maria Beraldo e Getulio Abelha

“Caju” ganha coletâne do seu primeiro disco solo de estúdio

Em 1985, após a sua saída do Barão Vermelho, Cazuza lançou seu primeiro disco solo, com o título Exagerado. Com 10 faixas lançadas, o disco tinha hinos da música nacional ali, como “Só as Mães São Felizes”, “Codinome Beija-Flor” e a própria faixa homônima “Exagerado”. Quarenta e um anos depois, o disco de estreia do cantor carioca ganha uma releitura com nomes significantes no que posso chamar aqui de “música brasileira LGBTIAP+”.

Agenor de Miranda Araújo Neto faleceu em sete (7) de julho de 1990, devido a complicações de saúde decorrentes da AIDS. Na época, ele foi um dos primeiros infectados pelo vírus HIV que trouxe isso à tona na mídia, sendo ao mesmo tempo um alerta para o que estava acontecendo, mas por muito tempo exposto de maneira cruel por veículos conservadores.

Nessa coletânea, quem abre o disco é Ludmilla. Quebrando qualquer barreira de estilo, a cantora carioca mostra por que é uma das principais artistas do Brasil hoje. Na sequência, temos Mateus Fazendo Rock cantando “Medieval”, uma das minhas favoritas da coletânea e também das originais na voz de Cazuza.

Urias, que teve o disco Herança aclamado pela crítica especializada, canta a faixa “Cúmplice”; Jadsa canta “Mal Nenhum” sendo também uma das minhas escolhas como favoritas; Johnny Hooker interpretou a faixa “Balada de um Vagabundo”; a cantora CATTO é outro destaque dessa coletânea. Seu disco mais recente, Caminhos Selvages, foi um dos melhores lançamentos nacionais de 2025, ao meu ver. E aqui, envolta por bons riffs de guitarra, sua voz invoca uma maciez pungente.

Capa e encarte de letras do vinil “Exagerado” de Cazuza, lançado em 1985

A coletânea lançada pela Replay tem uma curadoria de nomes nada óbvios diante da nossa “música brasileira LGBTIAP+”. Prova disso éMaria Beraldo, que com “Desastre Mental” mostra um jazz feito com domínio, aquela sensação de quem sabe muito bem o que está fazendo.

E a diversidade aqui está também nos múltiplos estilos: “Boa Vida” é cantada por Getúlio Abelha, que traz uma produção cheia de energia do tecnobrega. Raquel, cantora que deriva do grupo “As Baías”, anteriormente chamado de “As Bahias e a Cozinha Mineira”, teve um disco solo lançado em 2025 e firmou seu retorno à música com um rock estridente em “Só as Mães São Felizes”. Já a faixa final, “Rock da Descerebração”, é interpretada por Thalin, talvez o nome mais estreante entre os artistas dessa coletânea, uma aposta muito bem feita.

Até o final desta publicação, a faixa de Johnny Hooker, “Balada de um Vagabundo”, não estava disponível para audição. A coletânea tem um equilíbrio muito bem curado. A Replay, que também já lançou uma coletânea de Da Lama ao Caos, do Nação Zumbi, em seu segundo trabalho de coletânea mostra sua atenção diante dos nomes atuais da música brasileira. Artistas esses que têm uma conexão e, com certeza, uma gratidão por tudo que Cazuza representou e lutou, sendo um ícone LGBTIAP+ no Brasil.

Outra coletânea, Agenor

Há trezes anos, eu estava nessa mesma posição de escrita do lançamento de uma coletânea com as obras de Caju. Na época os nomes como Do Amor, Letuce, Mombojó, China e outros lançavam pela curadoria de Lorena Calabria. Ouça também:

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