Autor: Eduardo Araújo Silva

  • 4 Anos para que o Vírus HIV e a AIDS Deixem de ser uma Ameaça à Saúde Pública

    4 Anos para que o Vírus HIV e a AIDS Deixem de ser uma Ameaça à Saúde Pública

    Quarenta e quatro anos se passaram desde o primeiro caso de infecção pelo HIV. Hoje, a humanidade encontra-se em uma encruzilhada histórica. O relógio corre rápido. Restam apenas quatro anos para alcançarmos a meta estipulada pelo UNAIDS: eliminar a AIDS como uma ameaça à saúde pública global até 2030.

    O caminho percorrido até aqui demonstra que a ciência e a mobilização social transformam realidades. No entanto, o relatório global do UNAIDS, “AIDS, Crise e o Poder de Transformar”, alerta que a linha de chegada exige mais do que otimismo. Portanto, é necessária uma ação política coordenada e sustentabilidade financeira

       


    De onde vem o vírus?

    Compreender a origem é fundamental para traçar os rumos do futuro. Estudos científicos documentados pela National Geographic Brasil apontam que a origem do HIV remonta ao início do século XX, na África Central. Ele surgiu a partir de mutações do vírus SIV, encontrado em chimpanzés.

    A transmissão para humanos ocorreu, provavelmente, por meio do consumo de carnes desses animais. Décadas de silenciamento transformaram uma infecção localizada em uma das maiores pandemias modernas. Além disso, a doença estruturou-se sob estigmas que o ativismo tenta derrubar até hoje.


    O Alerta do UNAIDS: Crise e o Poder de Transformar

    O relatório traz um diagnóstico realista do cenário atual:

    • A Conquista Histórica: Até o fim de 2024, os esforços coletivos reduziram as novas infecções por HIV em 40%. Da mesma forma, as mortes relacionadas à AIDS caíram 56% desde 2010.
    • A Ameaça do Retrocesso: Uma crise histórica de financiamento coloca em risco esses avanços. O UNAIDS estima que, sem investimento adequado, o mundo pode enfrentar até 2029 cerca de 6 milhões de novas infecções adicionais. Consequentemente, teremos 4 milhões de mortes evitáveis.
    • O Caminho da Autonomia: Para atingir o objetivo de 2030, a estratégia deve mudar. Devemos migrar de um modelo dependente de doadores para um sistema de financiamento doméstico, sustentável e liderado pelas comunidades.

    O que são os Metas de 2030?

    A estratégia estipulada pela ONU baseia-se em alcançar três objetivos fundamentais nos próximos quatro anos:   

    1. Redução de 90% nas novas infecções por HIV em comparação com os dados de 2010.   
    2. Redução de 90% nas mortes anuais decorrentes de causas ligadas à AIDS.   
    3. Garantia de sustentabilidade financeira e estrutural na resposta ao HIV para além de 2030, acabando totalmente com o estigma e a discriminação.

    A Revolução da Prevenção e o Papel do Brasil

    Se há quatro décadas a infecção era uma sentença de morte, hoje estamos em uma revolução preventiva. O surgimento de tecnologias, como os antirretrovirais injetáveis (ex: Lenacapavir), abre novas perspectivas de controle.

    O Brasil se prepara para sediar a AIDS 2026 (26ª Conferência Internacional sobre a AIDS) na próxima semana, no Rio de Janeiro. Nesse contexto, o papel do SUS e o protagonismo de ativistas — com olhares atentos à interseccionalidade de raça, sexualidade e gênero — são vitais. O país servirá como vitrine mundial sobre como a união de prevenção, tratamento universal e direitos humanos é a receita para zerar a transmissão.

    Em última análise, os próximos quatro anos não são apenas um prazo. Eles representam uma janela de oportunidade única para garantir que as futuras gerações vivam em um mundo livre da AIDS.


    Agenda: Fique por dentro da AIDS 2026

    • Data: 26 a 31 de julho de 2026
    • Local: Riocentro, Rio de Janeiro
    • 26 de julho (Domingo): Abertura e boas-vindas na Global Village.
    • 27 a 30 de julho (Segunda a Quinta): Painéis científicos e debates sobre tecnologias de prevenção (Lenacapavir), acesso a tratamentos e financiamento.
    • 31 de julho (Sexta): Encerramento e leitura da “Declaração do Rio”.

    Para mais detalhes, consulte o portal oficial da IAS..

  • Ivana Wonder convida CATTO em single que abre caminho para seu primeiro álbum solo

    Ivana Wonder convida CATTO em single que abre caminho para seu primeiro álbum solo

    Com guitarras ritmadas e a potência dramática de CATTO, Ivana Wonder apresenta o single “Ao meu amor”. Escrita por Ivana, a faixa abre caminhos para o lançamento de sua campanha de financiamento coletivo, que viabilizará seu primeiríssimo álbum solo.

    Há uma década cruzando palcos e pistas de São Paulo, a drag queen paulista se destaca pela versatilidade de sua performance. Sua assinatura transita sem esforço entre shows intimistas de voz e violão — onde interpreta clássicos saudosistas — e o pulsar sintético e darkwave do duo Vermelho Wonder, projeto eletrônico em parceria com Márcio Vermelho.

    Somando-se aos singles anteriores, “Saudades de Mim” e “Melancholic Blue”, o novo lançamento sela a atmosfera melancólica e elegante que dará o tom de seu aguardado disco de estreia.

  • Linn da Quebrada visita clássico de Djavan em “Nuvem Negra” para expurgar as dores da depressão

    Linn da Quebrada visita clássico de Djavan em “Nuvem Negra” para expurgar as dores da depressão

    A depressão e os estados deprimidos manifestam-se de formas variadas — muitas vezes por meio de comportamentos que o senso comum interpreta como sinais de melhora, mas que são puros mecanismos de defesa. Por não apresentarem sintomas visuais constantes ou lineares, as patologias da psique ainda enfrentam o descrédito e a incompreensão daqueles que cercam o indivíduo afetado. É a partir desse lugar de vulnerabilidade e do desejo latente de vazão que a versão de “Nuvem Negra” ganha vida.

    A melancolia e o esforço para dissipar o sofrimento dão o tom dos versos da faixa:

    “Passa nuvem negra, larga o dia E vê se leva o mal que me arrasou Pra que não faça sofrer mais ninguém Esse amor que é raro e é preciso Prá nos levantar, me derrubou”

    Hiato e retorno aos holofotes

    O lançamento quebra um hiato de cinco anos desde Trava Línguas (2021), seu último álbum de estúdio. Embora tenha feito colaborações pontuais com artistas como David Sabbag e Icona Pop nos últimos anos, “Nuvem Negra” marca o retorno oficial da cantora e compositora ao seu trabalho autoral solo.

    Linn da Quebrada projetou-se nacionalmente com o aclamado disco Pajubá (2017). Ao lado de Jup do Bairro, o trabalho tornou-se um marco na música brasileira ao pautar com urgência as vivências travestis, racializadas e periféricas. Desde então, Lina Pereira expandiu sua atuação na mídia, estrelando filmes e minisséries, além de ter tido uma passagem de grande repercussão pelo reality Big Brother Brasil 22.

    A história de “Nuvem Negra”

    Lançada originalmente por Gal Costa em 1993 no álbum O Sorriso do Gato de Alice, “Nuvem Negra” é uma obra de Djavan que nunca chegou a integrar a discografia principal de seu autor. Sob a nova ótica de Linn e os arranjos de Fernando Catatau, a canção mergulha profundamente em camadas de solidão, transformando a busca pelo fim da tempestade em uma potente e necessária metáfora de cura, sobrevivência e alívio emocional.

  • Exagerado: Primeiro disco de  Cazuza ganha compilação com Urias, Ludmilla, Maria Beraldo e Getulio Abelha

    Exagerado: Primeiro disco de Cazuza ganha compilação com Urias, Ludmilla, Maria Beraldo e Getulio Abelha

    “Caju” ganha coletâne do seu primeiro disco solo de estúdio

    Em 1985, após a sua saída do Barão Vermelho, Cazuza lançou seu primeiro disco solo, com o título Exagerado. Com 10 faixas lançadas, o disco tinha hinos da música nacional ali, como “Só as Mães São Felizes”, “Codinome Beija-Flor” e a própria faixa homônima “Exagerado”. Quarenta e um anos depois, o disco de estreia do cantor carioca ganha uma releitura com nomes significantes no que posso chamar aqui de “música brasileira LGBTIAP+”.

    Agenor de Miranda Araújo Neto faleceu em sete (7) de julho de 1990, devido a complicações de saúde decorrentes da AIDS. Na época, ele foi um dos primeiros infectados pelo vírus HIV que trouxe isso à tona na mídia, sendo ao mesmo tempo um alerta para o que estava acontecendo, mas por muito tempo exposto de maneira cruel por veículos conservadores.

    Nessa coletânea, quem abre o disco é Ludmilla. Quebrando qualquer barreira de estilo, a cantora carioca mostra por que é uma das principais artistas do Brasil hoje. Na sequência, temos Mateus Fazendo Rock cantando “Medieval”, uma das minhas favoritas da coletânea e também das originais na voz de Cazuza.

    Urias, que teve o disco Herança aclamado pela crítica especializada, canta a faixa “Cúmplice”; Jadsa canta “Mal Nenhum” sendo também uma das minhas escolhas como favoritas; Johnny Hooker interpretou a faixa “Balada de um Vagabundo”; a cantora CATTO é outro destaque dessa coletânea. Seu disco mais recente, Caminhos Selvages, foi um dos melhores lançamentos nacionais de 2025, ao meu ver. E aqui, envolta por bons riffs de guitarra, sua voz invoca uma maciez pungente.

    Capa e encarte de letras do vinil “Exagerado” de Cazuza, lançado em 1985

    A coletânea lançada pela Replay tem uma curadoria de nomes nada óbvios diante da nossa “música brasileira LGBTIAP+”. Prova disso éMaria Beraldo, que com “Desastre Mental” mostra um jazz feito com domínio, aquela sensação de quem sabe muito bem o que está fazendo.

    E a diversidade aqui está também nos múltiplos estilos: “Boa Vida” é cantada por Getúlio Abelha, que traz uma produção cheia de energia do tecnobrega. Raquel, cantora que deriva do grupo “As Baías”, anteriormente chamado de “As Bahias e a Cozinha Mineira”, teve um disco solo lançado em 2025 e firmou seu retorno à música com um rock estridente em “Só as Mães São Felizes”. Já a faixa final, “Rock da Descerebração”, é interpretada por Thalin, talvez o nome mais estreante entre os artistas dessa coletânea, uma aposta muito bem feita.

    Até o final desta publicação, a faixa de Johnny Hooker, “Balada de um Vagabundo”, não estava disponível para audição. A coletânea tem um equilíbrio muito bem curado. A Replay, que também já lançou uma coletânea de Da Lama ao Caos, do Nação Zumbi, em seu segundo trabalho de coletânea mostra sua atenção diante dos nomes atuais da música brasileira. Artistas esses que têm uma conexão e, com certeza, uma gratidão por tudo que Cazuza representou e lutou, sendo um ícone LGBTIAP+ no Brasil.

    Outra coletânea, Agenor

    Há trezes anos, eu estava nessa mesma posição de escrita do lançamento de uma coletânea com as obras de Caju. Na época os nomes como Do Amor, Letuce, Mombojó, China e outros lançavam pela curadoria de Lorena Calabria. Ouça também:

  • Parada LGBT+ 2026: Entre os Grandes Shows e a Expressão da Ala Fetichista

    Parada LGBT+ 2026: Entre os Grandes Shows e a Expressão da Ala Fetichista

    Saiba mais sobre a ala sex positive e confira nossa seleção de shows que acontecerão nos trios

    A celebração do orgulho LGBTQIA+ ganha camadas mais profundas de expressão, fetiche e liberdade urbana. Além das fundamentais e tradicionais alas de Pessoas com Deficiência (PCD) e da ONG Mães pela Diversidade, o circuito oficial consolida a Ala Fetichista e o Espaço +18. Criado para celebrar a sexualidade positiva (sex positive), as subculturas e as expressões artísticas do fetiche, o espaço afirma o corpo e a dissidência como manifestações políticas de vanguarda.

    Abaixo, você confere o guia completo com a programação prévia, o esquema de retirada de pulseiras e um roteiro curado de shows para quem quer fugir do óbvio.

    📅 Esquema de Concentração e Logística da Ala Fetichista

    Para quem vai colar e quer se posicionar no lugar certo, a dinâmica exige atenção aos dias anteriores ao grande cortejo:

    • Aquecimento Oficial (Sexta-feira, 05/06): O Sodoma Lounge Bar sedia o tradicional Jantar Leather. É a oportunidade perfeita para se enturmar com a comunidade e conhecer quem está encabeçando a organização e o movimento da ala.
    • Retirada de Pulseiras (Quinta-feira, 04/06): As pulseiras de acesso exclusivo serão distribuídas na Feira da Diversidade, no Vale do Anhangabaú. Procure pelo ponto do LOTS (Leather On The Streets).
    • O Grande Dia (Domingo, 07/06): A concentração oficial acontece a partir das 11h, na altura do Metrô Trianon-Masp. Fique atento: a Ala Fetichista será a 4ª Ala do evento, posicionada logo junto ao carro da representatividade gay.

    🔊 Roteiro Musical: 5 Shows para Fugir do Mainstream

    Se o seu objetivo é acompanhar performances que fogem do circuito comercial tradicional e apostam na potência estética, eletrônica e periférica, montamos a sequência exata de trios para você seguir na Avenida:

    • Diego Martins (Trio 01 – A Rua Convoca): Fenômeno pop e multiartista, abre os caminhos com uma energia explosiva que mistura ganchos ultra-pop e performance drag de alto impacto.
    • Zumbicore (Trio 05 – Visibilidade Bi): Nome fundamental das pistas independentes e da cultura eletrônica periférica. Seus sets tensionam os limites do grave, misturando funk e beats eletrônicos acelerados.
    • Vita Pereira (Trio 09 – L’Oréal Groupe): Artista multimídia e performer cuja presença é um manifesto visual. Transita pelo pop contemporâneo com uma sofisticação conceitual única.

    Jup do Bairro (Trio 12 – Visibilidade Trans) Cria da Zona Sul de São Paulo, sua trajetória é marcada por dar voz, corpo e textura às vivências trans e pretas através de uma mistura cirúrgica de rap, eletrônica, rock e funk. Desde o lançamento do aclamado EP Corpo Sem Juízo, Jup estabeleceu-se não apenas como cantora, mas como uma pensadora da cultura pop e underground.

    • Isma (Trio 12 – Visibilidade Trans) Uma das presenças mais magnéticas das pistas independentes e da performance urbana contemporânea. Seu trabalho une música eletrônica de vanguarda, experimentalismo pop e uma expressão corporal intensa que funciona como manifesto visual.
    • Urias (Trio 13 – Amstel): Potência do pop/R&B experimental. Com estética impecável influenciada pelo vogueing e pela moda de vanguarda, entrega beats pesados e performance de nível internacional.

    A consolidação de espaços como a Ala Fetichista junto da ação de coletivos como LOTS (Leather On The Streets) no circuito principal reafirma que o orgulho não se limita a formatos comerciais; ele se expande na multiplicidade de corpos, fetiches e identidades que historicamente construíram as bases do movimento. Prepare o visual, garanta sua pulseira no Anhangabaú e nos vemos na avenida.

  • Guia de festas LGBTQIAP+ da Semana da Diversidade 2026 em São Paulo

    Guia de festas LGBTQIAP+ da Semana da Diversidade 2026 em São Paulo

    As festas da Parada SP 2026 redefinem o circuito cultural e noturno da cidade

    Foto da Parada de São Paulo por Eduardo Araújo Silva

    São Paulo, 2026 — A cidade já está no pique para viver uma das semanas mais históricas de sua trajetória cultural e política. Semana da Parada com tema sobre as urnas, chega com uma densidade magnanima na quantidade de festas, festivais e encontros que traduzem a força, o corre e a pluralidade da nossa comunidade.

    Entre estreias internacionais aguardadas há anos, o peso dos coletivos do underground e produções que tomam a cidade, SP vira o epicentro de narrativas sonoras que vão da nostalgia clássica do eurodance e o techno de vanguarda até o grave do funk e os grandes selos eletrônicos. Este guia não é um mero agregador de eventos: é uma curadoria cirúrgica de dezesseis frentes que desenham uma maratona de cinco dias, estourando a largada já nesta quarta-feira.

    Para mapear esse ecossistema complexo e garantir a visibilidade das identidades, criamos uma legenda direta para você sacar qual é o foco principal de cada pista. Cada projeto carrega sua própria pesquisa estética e comunidade, mas todos se encontram no mesmo ponto: a celebração como ato de autonomia.

    Seja na montação histórica das drags, nas pistas autogestionadas por mulheres lésbicas, na centralidade vital de homens e mulheres trans e travestis, ou no fluxo livre da bissexualidade e/ou da gênero flúido, ocupar São Paulo agora é um manifesto de presença em sua potência máxima. Confira:

    Legenda de categorias

    💄 Drag Queens

    ⚧️ Pessoas Trans e Não Binárias

    👩 Mulheres Lésbicas

    👩‍❤️‍👩 Pessoas Bissexuais

    🐻Homens Gays Ursos e admiradores

    🔞Evento com sexualidade positiva e convite a nudez

    🧑‍✈️​Fetichista

    📅 Quarta-feira, 3 de junho de 2026

    Cascada Na Rebobi Summer Eletropride⚧️💄👩‍❤️‍👩👩
    A banda alemã Cascada desembarca finalmente no Brasil para um show inédito que vai mexer com a nossa memória afetiva coletiva, descarregando hinos geracionais como Everytime We Touch e Evacuate the Dancefloor. O Komplexo Tempo abre as portas para 8 horas de pista intensa focada em eurodance e trance.

    Silver + Bunker Pride Festival ⚧️💄👩👩‍❤️‍👩 Dois selos se unem em um back-to-back, repetindo o duelo que marcou a cena clubber no ano anterior. São mais de 18 artistas confirmados, incluindo Aya Ibeji, Alma Negrot, Cafezin, Evehive x Mirands, Papisa, Tati Lisbon e Irmã Victória, entre outros. O festival ocupa duas pistas simultâneas, com sonoridades que transitam entre trance, techno, latin house, tribal e hard dance.

    Bigger Disco Ball 🐻🧑‍✈️
    Nome tradicionalíssimo no circuito bear, a festa ocupa o Kiki Klub trazendo no line-up DJs internacionais de peso, como o mexicano Isak Salazar. O ambiente é focado em ursos, barbudos e admiradores, mantendo aquela atmosfera clássica que une acolhimento, peso e flerte.


    📅 Quinta-feira, 4 de junho de 2026

    SXO Ato X – Pré-Parada🔞⚧️🐻👩‍❤️‍👩🧑‍✈️
    O underground se manifesta na República em uma edição crucial, locação secreta! Comandando o som e o conceito visual, o line-up traz Another Dudx, Ojo Ara e Kebra Louça prometendo pegar fogo logo na véspera de feriado, trazendo a estética fetichista, eletrônica e a cultura de clube noturna num mix para quem está préparado.

    Soda Pop Party – Edição Pride🐻🧑‍✈️
    A Blue Space abre espaço para uma mistura fina de flashbacks e as produções eletrônicas que estão batendo agora nas pistas. Estrutura com 4 bares, darkroom e mezanino, sob o comando dos VJs Robson, Alkay e Tico Malagueta.

    Realness Showcase – 4 anos KTKB💄⚧️👩👩‍❤️‍👩
    O festival celebra o aniversário do Kat Klub com performances brutais de Kitty Kawakubo, Ruby Nox e Dacota Monteiro. A noite é uma celebração de quatro anos de protagonismo absoluto da arte drag na Rua Augusta.

    O evento está alinhado com a RuPaul’s Dragcon Brasil que acontece no expo-center norte nos dias 5 e 6 de Junho com mais de 60 drag queens confirmadas!
    As brasileiras recebem rainhas mexicanas, inglesas, estadunidenses, espanholas e canadenses que marcaram (e ganharam) alguma das franquias do programa para a estréia da convenção no BR!

    SVRVRV Pride SP 2026⚧️💄👩‍❤️‍👩  
    Ocupando o Cine Jussara, a SVRVRV monta sua pista experimental com Aerobica, Turned On e Tassio Baía. Uma imersão para quem busca novas linguagens sonoras fora do óbvio.


    📅 Sexta-feira, 5 de junho de 2026

    Muchachos Proibidão Carioca🐻🔞🧑‍✈️
    A energia das noites do Rio invade o Hunter Club, operando uma fusão ousada entre o funk proibidão, tribal e techno. Estética urbana e fetichista, com dress code afiado para quem quer se jogar no clima de pegação.

    Cardume Pride 26👩 👩‍❤️‍👩⚧️💄
    Chegando à sua quinta edição no Sonora Garden, a Cardume se firma na pesquisa refinada de house music e disco. Line-up com Aya Ibeji, Massimiliano Pagliara e Roi Perez, em espaço que prioriza acessibilidade e conforto.

    Festa Alicate – Queer Pride Edition👩‍❤️‍👩 💄👩⚧️
    Com postura irreverente e sem amarras, a Alicate convoca DJs e performers para uma edição focada na diversidade radical. Estética alternativa com centralidade para a cultura drag e trans.


    📅 Sábado, 6 de junho de 2026

    Kevin Pride 2026 💄👩‍❤️‍👩🔞
    A Fabriketa recebe uma das maiores forças da noite independente paulistana. Duas pistas e megadarkroom, com Zebra Katz (EUA/Berlim) e Clementaum falando que vai mais forty!

    Ultraffair Pride 2026 ⚧️ 💄👩👩‍❤️‍👩  
    O Komplexo Tempo vira palco para um festival de 12 horas seguidas de música, com múltiplos palcos e trânsito entre artistas nacionais e internacionais.


    📅 Domingo, 7 de junho de 2026

    Pride – Agrada Gregos 👩‍❤️‍👩  
    Mega festa na Audio, com 2 pistas, trio elétrico e banda de pagode. Produção grandiosa com 15h de programação que mistura carnaval, eletrônica e pagode em uma só celebração.

    Teddy Orgulhosa After 2026 🐻  
    After oficial na Rua Augusta, com hits pop e trânsito intenso da cena bear. Pessoas trans e drags têm entrada VIP, reforçando o caráter inclusivo da noite.

    Pride nas Alturas 2026 👩 ⚧️💄👩👩‍❤️‍👩  
    Camarote rooftop na Consolação, com três níveis: lounge, club e vista panorâmica da Parada. Serviço premium, open bar e curadoria artística dedicada.

    O Guia LGBTQIAP+ Semana da Diversidade 2026 não é apenas uma agenda de festas, mas uma curadoria inclusiva que se importa com todas as letras da sigla. Cada evento é um manifesto de liberdade e resistência, reafirmando o papel de São Paulo como epicentro global do orgulho.

    Mais do que música, o Pride é sobre pertencimento: ocupar espaços, celebrar identidades e construir memórias coletivas. Em 2026, a cidade pulsa em cada pista, em cada palco e em cada abraço — mostrando que o orgulho é, acima de tudo, viver a diversidade em sua forma mais autêntica.

  • Electronic Sex Music: A Revolução da Sexualidade e Música

    Electronic Sex Music: A Revolução da Sexualidade e Música

    Música Sexual Eletrônica

    Electronic Sex Music — ou Música Sexual Eletrônica — não é apenas o nosso podcast com sets de DJs que orbitam os selos SXO, a sxy e a KinKy; é o epicentro de um movimento que reivindica a música como ferramenta de dança e celebração de sexualidades múltiplas. Falamos em plural porque desafiamos a lógica mononormativa e as convenções do sexo sob a égide do patriarcado.

    Aqui, a sexualidade abrange a masturbação, a descoberta individual da própria potência, a entrega à fragilidade e a percepção sensorial do corpo. São estados de consciência; arquiteturas de sensação. O ato sexual se decompõe e se refaz no encontro com o outro de infinitas formas: vivemos o desejo virtualmente em plataformas sociais, em trocas de áudios, imagens e textos que moldam nossa subjetividade contemporânea. Por isso, levantamos #ElectronicSexMusic ou #ESM e criando essa bandeira no território da e-music.

    #ESM

    Historicamente, movimentos como o EDM, a House e o Techno emergiram da fusão orgânica entre comunidades e seus hábitos culturais; nós, agora, reivindicamos o direito de nomear a nossa própria junção e a formação de uma comunidade fundamentada na radicalidade das nossas sexualidades. Operamos em eventos sociais, no digital, na música, nas artes visuais, na performance e na escrita. Ocupamos clubes, puteiros, masmorras de BDSM, cinemões e espaços domésticos, mas a nossa festa principal acontece, invariavelmente, em nossos próprios corpos.

    O registro escrito torna-se, então, um ato de insurgência necessário para que nossa trajetória não seja apagada. Em um Brasil que negligencia sistematicamente a memória, onde pessoas LGBTIAP+ são frequentemente reduzidas ao rótulo genérico de “diversidade”, nós nos unimos em movimento para expansão, jamais para permitir a redução de nossas subjetividades. A fluidez pede passagem; a pulsão sexual exige existir sem o cárcere das caixas.

    É hora de transmutar delírio em deleite. A utopia não é um horizonte impossível.

    O PODCAST

    Dircceu, DJ do episódio 2 do podcast

    Com 5 episódios, cada set é uma visão única dos DJs convidados sobre o termo Electronic Sex Music. Os residentes Another Dudx, FKSR e Ojo Ara são os DJS dos primeiros episódios, junto de Dircceu que fez uma mix exclusiva para o dia 1 de Dezembro, dia da luta mundial contra o HIV/AIDS.

    Os residentes da festa SXO Another Dudx e Ojo Ara

    Até a presente atualização, os mixes mais recentes são de Gibranna e Paula Pretel, em ambos os casos foram gravados durante uma das edições da festa SXO. Pode ser que você leia esse texto e tenhamos mais gravações, confira e siga nosso Soundcloud:

    Se você quer vivenciar ao vivo, inscreva-se na nossa página da Shotgun, plataforma que hospeda nossos eventos. Assinando você receberá notificações a cada novo evento e tendo benefícios exclusivos.

    O performer Lycurgo durante a festa SXO + FLSH (Todo Mundo Nu no Rio) com um Parangolé
    Foto: X Sirius
  • ESM: Por que FKA Twigs, Robyn e Peaches tornaram o sexo na pista um ato político

    ESM: Por que FKA Twigs, Robyn e Peaches tornaram o sexo na pista um ato político

    ESM – Eletronic Sex Music em alta com Eusexua, Sexistential e No Lub So Rude

    A convergência entre FKA Twigs, Robyn e Peaches entre 2024 e 2026 marca um momento histórico: a pista de dança reforça a sexualidade de maneira literal. Não estamos mais ouvindo metáforas. Com os lançamentos de Eusexua (FKA Twigs, 2024), No Lube So Rude (Peaches, 2026) e o recente Sexistential (Robyn, 2026), a palavra sexo deixou de ser um tabu para se tornar um palco de autonomia corporal.

    FKA Twigs: A Mística da Clareza Orgásmica

    Aos 38 anos, a inglesa FKA Twigs abre esse portal com Eusexua. Sua trajetória, marcada pela fusão entre a fragilidade do R&B e a vanguarda eletrônica, atinge uma clareza inédita. Para Twigs, o sexo na pista é uma experiência mística — um estado de “clareza orgásmica” que serve como antídoto para a automação da vida moderna.

    Sua corporeidade propõe uma androginia que domina as tecnologias do corpo, traduzindo-as em sons etéreos e um visual experimental que flerta com o pós-humano. É o prazer como autodescoberta e cura.

    Robyn: Existencialismo, Maternidade e Beats 4/4

    A sueca Robyn, aos 46 anos, traz a bagagem de quem sobreviveu a múltiplas eras da indústria mantendo sua integridade emocional. Em Sexistential, ela utiliza sua posição consolidada na música eletrônica para questionar o desejo na meia-idade.

    Robyn parece estar em casa neste novo álbum excêntrico que refina as pulsações luminosas do sintetizador de Body Talk para explorar sexualidade, sentimentalismo e a criação da vida.
    Robyn parece estar em casa neste novo álbum que refina as pulsações luminosas do sintetizador de Body Talk para explorar sexualidade, sentimentalismo e a criação da vida.

    Sua contribuição é a intelectualização do ritmo. Ela prova que a pista é o lugar onde processamos nossas crises existenciais. Para Robyn, o sexo é a prova de que ainda estamos pulsantes — uma afirmação que ecoa a postura de Björk, que sempre se posicionou como uma clubber eterna. Na faixa-título, Robyn dialoga consigo mesma sobre ser solteira, mãe e navegar por aplicativos e terapia, desconstruindo o que “pode ou não” na vida adulta.

    O Vanguardismo de Peaches: Prazer contra o Fascismo

    Sonoramente, Peaches causa uma revolução contínua. Seu vanguardismo, que já pulsava em Fuck The Pain Away, ganha novas camadas em No Lube So Rude. Prestes a completar 60 anos, a canadense não está apenas revisitando o que pavimentou; ela está denunciando a aspereza do sistema.

    Ao falar de “fricção sem lubrificante”, Peaches é interseccional: traz para a composição o amadurecimento, a vivência LGBTQIA+ e a resistência contra o etarismo. Ela usa sua longevidade para provar que o prazer é uma arma política contra o fascismo e a caretice do século XXI.


    “Falar de sexo na pista de dança hoje é desmistificar uma opressão histórica. É transformar o suor em manifesto.”


    Uma Genealogia do Prazer na Música Eletrônica

    Essa ruptura não é por acaso. A virada para o “S E X O” sem metáforas deve muito a Donna Summer (1975) e ao orgasmo no centro da pista, além da crueza de Grace Jones e Madonna nos anos 80.

    Mas é no vanguardismo de Peaches, desde os anos 2000, que o termo deixou de ser um convite para se tornar um comando de autonomia. Enquanto Twigs navega pelas nuances do corpo e das relações sem rótulos, e Robyn mostra a sensualidade pós-maternidade, Peaches consolida a ESM (Electronic Sex Music) como um gênero de resistência.

    Fico feliz de ver esse termo sendo falado sem alegorias. O sexo precisa deixar de ser um tabu em nossas conversas públicas. Não há nada de profano em um ato que está no cerne da humanidade. É tempo de celebrar a fricção, a verdade e a autonomia.

  • Legado, erotismo e luta: Coleção de Roberto Pontual vai a leilão em Paris com obras de Alair Gomes

    Legado, erotismo e luta: Coleção de Roberto Pontual vai a leilão em Paris com obras de Alair Gomes

    Neste mês, no dia 31 de Março de 2026, o icônico Hotel Drouot, em Paris, promoverá um leilão e celebração histórica da arte e da memória LGBTQIA+ brasileira. A casa Maurice Auction leva a leilão o acervo pessoal de Roberto Pontual (1939–1994), um dos críticos mais influentes do país. Roberto Pontual nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1939, mas construiu sua base intelectual e carreira no Rio de Janeiro e terminou sua vida em Paris, na França, em 1994. Mais do que uma coleção de quadros, o evento revelou a cartografia afetiva de uma vida compartilhada entre Pontual e seu marido, Vincent Wierink.

    Roberto Pontual no jardim do MAM Rio de Janeiro em 1987 (Foto: Pedro Karp Vasquez)

    O leilão é uma das primeira venda desta escala dedicada à arte brasileira na Europa — e também um dos primeiros que destinará parte da arrecadação foi destinada à Sidaction, fundação francesa que lidera a luta contra o HIV/AIDS. O gesto honra a trajetória de Pontual, que faleceu e em decorrência da Aids, transformando sua herança intelectual em investimento para a vida e a ciência.

    Obra de Alair Gomes que integra a coleção de Roberto Pontual

    A existência dessa coleção chegou aos nossos dias graças à dedicação de Vincent Wierink, companheiro de longa data e herdeiro universal de Pontual. Vincent, que faleceu recentemente, manteve viva a memória de um homem que os artistas adoravam por sua “insaciável curiosidade e gentileza”. O acervo é o testemunho de um casal que, em pleno Rio de Janeiro dos anos 70 e 80, colecionava não apenas objetos, mas visões de mundo que desafiavam as normas da época.

    O Olhar de Alair Gomes e a Carne do Barroco

    Um dos grandes destaques do leilão foi a presença de obras fundamentais de Alair Gomes, o fotógrafo que transformou o corpo masculino em monumento. Entre as peças, brilharam a Opus n°17 — uma suíte de 10 fotografias de rapazes nas areias do Rio — e fragmentos da Opus n°3.

    Para Pontual, a fotografia de Alair não era apenas erotismo, mas uma manifestação daquela “sobrevida do Barroco” que ele tanto defendia em seus textos. Ele via na luz sobre os corpos de Alair a mesma pulsão carnal e dramática que definia a identidade brasileira. Ter essas obras em casa era, para o casal, uma afirmação cotidiana de desejo e identidade.

    Alair Gomes, parte do número 9 da obra opus 3 (Imagem: Maurice Auction / Howard Payen)

    Explode! A Geração que Redescobriu o Corpo

    Roberto Pontual foi o crítico que deu nome e fôlego à “Geração 80” em seu livro Explode Geração! (1985). Ele foi o primeiro a entender que a arte produzida naquele momento de redemocratização precisava de “corpo e sangue”. Ao lado de artistas como Leonilson, Pontual ajudou a moldar uma estética onde a subjetividade e a sexualidade deixavam de ser marginais para ocupar o centro da tela.

    Hoje, trinta e dois anos após sua partida, o legado de Pontual em Paris nos lembra que a arte é, acima de tudo, um território de sobrevivência. Entre o erotismo de Alair e a luta contra o HIV, sua história continua a pulsar, provando que o desejo, quando transformado em cultura, é eterno. O leilão acontece dia 31, mas a partir do dia 28 as obras estão expostas.

  • Global e vanguardista: Saâda Bonaire, o complexo projeto musical com muitos sonhos

    Global e vanguardista: Saâda Bonaire, o complexo projeto musical com muitos sonhos

    Eu já havia ouvido o som do Saâda Bonaire, feito o download de algumas tracks e visto o clipe de “You Could Be More As You Are”, mas, até o momento em que me perguntei o que as palavras “Saâda Bonaire” significavam, eu não tinha ideia de onde eram, nem o que duas mulheres brancas faziam de burca e pinturas faciais com um som experimental ou “Global Sound”.

    Nessa pesquisa, o primeiro ponto é que Bonaire e Saâda são dois lugares: Saâda vem da província Bou Saâda, ou Boussada, na Argélia, e quer dizer “lugar de felicidade” em árabe. Já Bonaire é uma ilha caribenha que fica bem próxima à Venezuela. Se a gente olhar no mapa, existe uma linha reta entre ambas, dividida pelo Oceano Atlântico. Apesar de estarem próximas em latitude, não existe uma rota física entre essas localizações, mas, de alguma maneira, o projeto de Stephanie Lange, Claudia Hossfeld e do produtor e DJ Ralph von Richtoven criou essa rota no universo musical.

    Claudia e Stephanie (foto) se conheceram em uma audição para backing vocal de uma banda. Ambas tinham muita coisa em comum e queriam formar o próprio projeto. Stephanie (1961) e Ralph já se conheciam desde os seus dezessete anos. Isso tudo acontecia em Bremen, na Alemanha.

    Ralph, além de produtor, também trabalhava na prefeitura local com imigrantes, e está aí a grande diferença musical que o Saâda Bonaire teria diante de tudo. Eles gravaram sessões com diversos músicos imigrantes com os quais, muitas vezes, não havia sequer comunicação em alemão ou inglês, mas que musicalmente contribuíram para a construção da sonoridade múltipla e global do projeto.

    Com vinte sessões gravadas com músicos no centro comunitário de Bremen, o Saâda Bonaire assinou com a EMI e gravou no lendário estúdio “N”, onde o Kraftwerk já havia gravado. Só que a EMI rompeu com o projeto no lançamento do primeiro single, “You Could Be More As You Are”, em 1984. O que era uma promessa de estouro pop com sonoridade new wave e múltipla não chegou às paradas de sucesso devido aos altos gastos com festas durante a produção, estourando assim o orçamento diversas vezes, até que o contrato fosse descontinuado.

    Com muitas camadas e material para lançar três discos, o projeto não conseguiu emplacar em outra gravadora e, logo depois, Claudia Hossfeld o deixou. Então, Stephanie e Ralph (que hoje são amigos) tiveram que parar com as atividades em 1986.

    Saâda Bonaire em segunda formação

    Em 1988, Ralph começou a colaborar com Mike Ellington, que havia montado um estúdio no antigo sex shop de seu pai. Então, em 1991, as coisas conspiraram para que os produtores, munidos de um AKAI S1000 e um computador Apple, pudessem trazer novamente o Saâda Bonaire à vida, já que perceberam que suas produções tinham uma sonoridade próxima àquela com a qual Ralph havia trabalhado entre 1982 e 1984.

    “Só é de verdade se você pode fazer duas vezes”. Então, chamando Stephanie Lange novamente para gravar, Mike apresentou Andrea Ebert, que cantava profissionalmente e tinha desenvolvido técnicas vocais na igreja. Juntas, Stephanie e Andrea (foto) tinham um contraste harmonioso que se encaixava nas produções de Mike e Ralph. Em 1992, o Saâda Bonaire era muito diferente do que se formara com Claudia Hossfeld. O quarteto formado uma década depois possuía personalidades muito distintas.

    Entre 1992 e 1993, eles gravaram algumas das canções que estavam guardadas, com edição e mixagem feitas por Matthias Heilbronn. Andrea, que tinha uma história muito diferente da de Stephanie e, consequentemente, uma maneira diferente de cantar, fez uma passagem por Nova York. Quando voltou, em 1993, gravou junto com Stephanie, Mike e Ralph a faixa “So Many Dreams” e outras três músicas. Com essa nova visão musical de Andrea, o ritmo do Saâda Bonaire também havia mudado, ficando mais próximo dos 130 BPMs.

    Mas como um grupo de origem alemã, tocando um som com instrumentos turcos e curdos, que muitas vezes parecia britânico ou americano, com influências tão específicas, iria se encaixar em um mercado como o do ano de 1994? Naquele momento, Janet Jackson, Mariah Carey, Crystal Waters, Madonna, Erasure, Bon Jovi e Babyface dominavam as paradas musicais.

    A fusão contraditória de tantos elementos não encaixava o Saâda Bonaire em nenhum estilo. Mas foi essa inconformidade com um único rótulo que levou, hoje, um LP deles a custar mais de quinhentos reais. O caminho torto levou o projeto direto para a lista dos especialistas musicais como algo precioso e alternativo, quarenta e quatro anos após sua criação.

    Entre as composições, encontram-se letras sobre sonhos, amizades e a afirmação do feminino, além de sonoridades múltiplas que seguem por diversos caminhos e se apropriam de tantas camadas culturais. É por se apoiar em uma sonoridade única e se tornar tão indefinido por ser uma mistura muito diversa que o projeto, ainda hoje, não é apontado como um problema de apropriação cultural. E talvez seja por essa falta de definição, em um mundo tão rotulado, que o projeto mostrou que você pode ser mais como você é.

    Você pode acompanhar mais informações sobre Saâda Bonaire no site oficial.