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  • 4 Anos para que o Vírus HIV e a AIDS Deixem de ser uma Ameaça à Saúde Pública

    4 Anos para que o Vírus HIV e a AIDS Deixem de ser uma Ameaça à Saúde Pública

    Quarenta e quatro anos se passaram desde o primeiro caso de infecção pelo HIV. Hoje, a humanidade encontra-se em uma encruzilhada histórica. O relógio corre rápido. Restam apenas quatro anos para alcançarmos a meta estipulada pelo UNAIDS: eliminar a AIDS como uma ameaça à saúde pública global até 2030.

    O caminho percorrido até aqui demonstra que a ciência e a mobilização social transformam realidades. No entanto, o relatório global do UNAIDS, “AIDS, Crise e o Poder de Transformar”, alerta que a linha de chegada exige mais do que otimismo. Portanto, é necessária uma ação política coordenada e sustentabilidade financeira

       


    De onde vem o vírus?

    Compreender a origem é fundamental para traçar os rumos do futuro. Estudos científicos documentados pela National Geographic Brasil apontam que a origem do HIV remonta ao início do século XX, na África Central. Ele surgiu a partir de mutações do vírus SIV, encontrado em chimpanzés.

    A transmissão para humanos ocorreu, provavelmente, por meio do consumo de carnes desses animais. Décadas de silenciamento transformaram uma infecção localizada em uma das maiores pandemias modernas. Além disso, a doença estruturou-se sob estigmas que o ativismo tenta derrubar até hoje.


    O Alerta do UNAIDS: Crise e o Poder de Transformar

    O relatório traz um diagnóstico realista do cenário atual:

    • A Conquista Histórica: Até o fim de 2024, os esforços coletivos reduziram as novas infecções por HIV em 40%. Da mesma forma, as mortes relacionadas à AIDS caíram 56% desde 2010.
    • A Ameaça do Retrocesso: Uma crise histórica de financiamento coloca em risco esses avanços. O UNAIDS estima que, sem investimento adequado, o mundo pode enfrentar até 2029 cerca de 6 milhões de novas infecções adicionais. Consequentemente, teremos 4 milhões de mortes evitáveis.
    • O Caminho da Autonomia: Para atingir o objetivo de 2030, a estratégia deve mudar. Devemos migrar de um modelo dependente de doadores para um sistema de financiamento doméstico, sustentável e liderado pelas comunidades.

    O que são os Metas de 2030?

    A estratégia estipulada pela ONU baseia-se em alcançar três objetivos fundamentais nos próximos quatro anos:   

    1. Redução de 90% nas novas infecções por HIV em comparação com os dados de 2010.   
    2. Redução de 90% nas mortes anuais decorrentes de causas ligadas à AIDS.   
    3. Garantia de sustentabilidade financeira e estrutural na resposta ao HIV para além de 2030, acabando totalmente com o estigma e a discriminação.

    A Revolução da Prevenção e o Papel do Brasil

    Se há quatro décadas a infecção era uma sentença de morte, hoje estamos em uma revolução preventiva. O surgimento de tecnologias, como os antirretrovirais injetáveis (ex: Lenacapavir), abre novas perspectivas de controle.

    O Brasil se prepara para sediar a AIDS 2026 (26ª Conferência Internacional sobre a AIDS) na próxima semana, no Rio de Janeiro. Nesse contexto, o papel do SUS e o protagonismo de ativistas — com olhares atentos à interseccionalidade de raça, sexualidade e gênero — são vitais. O país servirá como vitrine mundial sobre como a união de prevenção, tratamento universal e direitos humanos é a receita para zerar a transmissão.

    Em última análise, os próximos quatro anos não são apenas um prazo. Eles representam uma janela de oportunidade única para garantir que as futuras gerações vivam em um mundo livre da AIDS.


    Agenda: Fique por dentro da AIDS 2026

    • Data: 26 a 31 de julho de 2026
    • Local: Riocentro, Rio de Janeiro
    • 26 de julho (Domingo): Abertura e boas-vindas na Global Village.
    • 27 a 30 de julho (Segunda a Quinta): Painéis científicos e debates sobre tecnologias de prevenção (Lenacapavir), acesso a tratamentos e financiamento.
    • 31 de julho (Sexta): Encerramento e leitura da “Declaração do Rio”.

    Para mais detalhes, consulte o portal oficial da IAS..

  • Legado, erotismo e luta: Coleção de Roberto Pontual vai a leilão em Paris com obras de Alair Gomes

    Legado, erotismo e luta: Coleção de Roberto Pontual vai a leilão em Paris com obras de Alair Gomes

    Neste mês, no dia 31 de Março de 2026, o icônico Hotel Drouot, em Paris, promoverá um leilão e celebração histórica da arte e da memória LGBTQIA+ brasileira. A casa Maurice Auction leva a leilão o acervo pessoal de Roberto Pontual (1939–1994), um dos críticos mais influentes do país. Roberto Pontual nasceu em Vitória, no Espírito Santo, em 1939, mas construiu sua base intelectual e carreira no Rio de Janeiro e terminou sua vida em Paris, na França, em 1994. Mais do que uma coleção de quadros, o evento revelou a cartografia afetiva de uma vida compartilhada entre Pontual e seu marido, Vincent Wierink.

    Roberto Pontual no jardim do MAM Rio de Janeiro em 1987 (Foto: Pedro Karp Vasquez)

    O leilão é uma das primeira venda desta escala dedicada à arte brasileira na Europa — e também um dos primeiros que destinará parte da arrecadação foi destinada à Sidaction, fundação francesa que lidera a luta contra o HIV/AIDS. O gesto honra a trajetória de Pontual, que faleceu e em decorrência da Aids, transformando sua herança intelectual em investimento para a vida e a ciência.

    Obra de Alair Gomes que integra a coleção de Roberto Pontual

    A existência dessa coleção chegou aos nossos dias graças à dedicação de Vincent Wierink, companheiro de longa data e herdeiro universal de Pontual. Vincent, que faleceu recentemente, manteve viva a memória de um homem que os artistas adoravam por sua “insaciável curiosidade e gentileza”. O acervo é o testemunho de um casal que, em pleno Rio de Janeiro dos anos 70 e 80, colecionava não apenas objetos, mas visões de mundo que desafiavam as normas da época.

    O Olhar de Alair Gomes e a Carne do Barroco

    Um dos grandes destaques do leilão foi a presença de obras fundamentais de Alair Gomes, o fotógrafo que transformou o corpo masculino em monumento. Entre as peças, brilharam a Opus n°17 — uma suíte de 10 fotografias de rapazes nas areias do Rio — e fragmentos da Opus n°3.

    Para Pontual, a fotografia de Alair não era apenas erotismo, mas uma manifestação daquela “sobrevida do Barroco” que ele tanto defendia em seus textos. Ele via na luz sobre os corpos de Alair a mesma pulsão carnal e dramática que definia a identidade brasileira. Ter essas obras em casa era, para o casal, uma afirmação cotidiana de desejo e identidade.

    Alair Gomes, parte do número 9 da obra opus 3 (Imagem: Maurice Auction / Howard Payen)

    Explode! A Geração que Redescobriu o Corpo

    Roberto Pontual foi o crítico que deu nome e fôlego à “Geração 80” em seu livro Explode Geração! (1985). Ele foi o primeiro a entender que a arte produzida naquele momento de redemocratização precisava de “corpo e sangue”. Ao lado de artistas como Leonilson, Pontual ajudou a moldar uma estética onde a subjetividade e a sexualidade deixavam de ser marginais para ocupar o centro da tela.

    Hoje, trinta e dois anos após sua partida, o legado de Pontual em Paris nos lembra que a arte é, acima de tudo, um território de sobrevivência. Entre o erotismo de Alair e a luta contra o HIV, sua história continua a pulsar, provando que o desejo, quando transformado em cultura, é eterno. O leilão acontece dia 31, mas a partir do dia 28 as obras estão expostas.

  • O Legado Musical de Renato Russo: The Stonewall Celebration Concert

    O Legado Musical de Renato Russo: The Stonewall Celebration Concert

    Em 1994 Renato Russo (27 de março de 1960 – 11 de outubro de 1996)  lançava seu primeiro disco solo totalmente em inglês. The Stonewall Celebration Concert era uma homenagem aos 25 anos da revolta de Stonewall, iniciada por Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera.

    O disco conta com 21 canções, e nenhuma delas é de sua autoria. O projeto nasce inspirado por um álbum de Nick Drake, artista de quem Renato era grande admirador.

    A canção Clothes of Sand, de Drake, é a faixa dois desse lançamento solo do artista brasiliense. O disco também inclui Cathedral Song de Tanita Tikaram, que mais tarde ganharia uma versão em português feita por Zélia Duncan. Há ainda canções de Madonna, Bob Dylan, Quincy Jones, Lionel Richie, Gretchen Cryer e outros nomes importantes.

    Originalmente o álbum foi concebido com 48 músicas. O primeiro corte reduziu o conjunto para 30 faixas, mas devido às limitações do formato dos CDs, o disco passou por mais uma edição e ficou com 21 canções. Algumas gravações foram lançadas posteriormente no álbum póstumo O Último Solo.

    A gravação aconteceu entre fevereiro e março de 1994. O site oficial menciona que Renato foi ex-aluno e ex-professor da Cultura Inglesa e elogia seu inglês impecável.

    Outro destaque é a canção de Quincy Jones Miss Celia Blues, que integra a trilha sonora de A Cor Púrpura. Renato também incluiu sua homenagem ao Pinóquio da Disney com When You Wish Upon a Star, de Ned Washington e Leigh Harline. Vale notar ainda a curiosidade de ouvir uma música de Madonna em uma versão folk interpretada por Renato.

    O encarte trazia informações de vinte e nove entidades sociais, entre elas o Grupo Gay da Bahia, o ISER, o Greenpeace, a Sociedade Viva Cazuza e a ABIA. Parte dos royalties foi doada à campanha de Betinho, Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

    Renato idealizou o disco como homenagem ao ex-namorado, Robert Scott Hickmon. A canção Vento no Litoral também é dedicada a ele. Scott, norte-americano com quem Renato se relacionou e chegou a morar alguns meses no Brasil, mas vivia em Nova York, onde o casal se conheceu.

    Scott havia namorado um paciente com AIDS antes de conhecer Renato e acabou transmitindo o vírus ao cantor, que descobriu o HIV após o término do relacionamento. Depoimentos de amigos contam que Renato se envolveu com Scott ciente de que o ex-companheiro do norte-americano também havia morrido por complicações da imunodeficiência.

    Renato faleceu em 1996 aos 36 anos, em decorrência de broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária, consequências do contágio pelo HIV. Ele descobriu a doença entre 1989 e 1990.

    “If equal affection cannot be let the more loving one me be.” W.h. Auden

    Se não for possível haver afeição igual, Que o mais amoroso seja eu